Como usar IA para se informar sobre saúde – e o que não perguntar

Pesquisar sintomas nas ferramentas de IA pode trazer riscos. Saiba que cuidados deve ter, que erros evitar e como usar estas ferramentas de forma segura.

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Mulher sentada no sofá, enrolada numa manta, a sentir-se doente enquanto pesquisa sintomas de saúde no smartphone

Sentiu uma dor estranha, abriu o ChatGPT e começou a digitar os sintomas? Não está sozinho. Tal como aconteceu com o 'Dr. Google', as ferramentas de Inteligência Artificial tornaram-se o novo consultório de bolso de milhões de pessoas. Mas até onde podemos confiar quando o assunto é a nossa saúde? 

Neste artigo, revelamos os erros mais comuns relacionados com as pesquisas de saúde nos LLM e como pode usar a tecnologia enquanto aliada, sem colocar o seu bem-estar em risco.

LLM: o que são e como funcionam?

Os LLM (Large Language Models), ou, em português, modelos de linguagem de grande escala, são sistemas de inteligência artificial treinados com grandes volumes de texto disponíveis na internet, livros e outras fontes públicas. 

O ChatGPT é um dos exemplos mais conhecidos, mas existem outros modelos semelhantes, como o Gemini, desenvolvido e integrado nos serviços da Google, que funcionam com princípios idênticos. Conseguem responder a perguntas com grande naturalidade, explicam conceitos complexos e mantêm conversas de forma fluida, adaptando-se ao contexto do que lhes pede.

O objetivo dos LLM é gerar respostas coerentes e plausíveis com base em padrões de linguagem – não diagnosticar, avaliar clinicamente ou substituir profissionais de saúde. Isto significa que, mesmo quando a resposta parece segura, “humana” ou detalhada, não existe avaliação médica individual, nem acesso ao seu historial clínico, exames ou contexto pessoal.

A utilização de ferramentas de inteligência artificial na saúde não deve ser encarada apenas como um risco. Quando feitas de forma adequada, estas pesquisas podem contribuir para melhorar a literacia em saúde, ajudar a compreender melhor diagnósticos já estabelecidos e preparar dúvidas para uma consulta médica. O desafio está menos na ferramenta em si e mais na forma como é utilizada.

 

Inteligência artificial e literacia em saúde: quais os benefícios?

Os modelos de linguagem podem desempenhar um papel positivo no aumento da literacia em saúde, isto é, na capacidade de compreender informação médica e tomar decisões mais informadas. Entre as principais vantagens, destacam-se:

Ajudam a compreender termos médicos complexos

Estas ferramentas podem traduzir linguagem técnica em explicações simples, facilitando a compreensão de relatórios clínicos, exames ou diagnósticos já estabelecidos.

Permitem preparar melhor uma consulta

Ao esclarecer conceitos prévios, pode chegar à consulta com dúvidas mais organizadas e específicas, tornando o tempo clínico mais produtivo.

Facilitam o acesso rápido a informação geral

Estas ferramentas podem explicar, de forma estruturada, o que é uma doença, quais os fatores de risco ou como funciona um determinado exame.

Promovem um maior envolvimento do doente

Uma pessoa mais informada tende a participar de forma mais ativa nas decisões relacionadas com a sua saúde. 

Quando utilizados como complemento – e não substituto – do acompanhamento médico, os LLM podem ser aliados na educação para a saúde.

Como pesquisar sobre saúde de forma mais segura

Apesar das suas limitações, os LLM podem ser úteis quando utilizados de forma informada e responsável. Conheça algumas boas práticas que ajudam a reduzir riscos e a tirar melhor partido destas ferramentas.

  • Não utilize ferramentas de IA para obter um diagnóstico

  • Não interprete a informação como sendo personalizada

  • Não tome decisões sobre tratamentos ou medicação

  • Utilize os LLM para informação geral

  • Confirme sempre a informação em fontes credíveis

  • Use a informação como apoio à consulta médica

  • Mantenha um espírito crítico

  • Recorra à avaliação médica para garantir acompanhamento adequado

O que perguntar (e o que evitar perguntar) aos LLM sobre saúde 

Uma das principais diferenças entre utilizar um LLM e fazer uma pesquisa no Google está na forma como se colocam as questões. A qualidade da resposta depende, em grande parte, da maneira como a pergunta é formulada. Conheça exemplos de “boas” e “más” perguntas a colocar às ferramentas de inteligência artificial.

 

“Bons” exemplos de perguntas 

Estas perguntas podem ajudar a aumentar a compreensão sem substituir avaliação clínica:

•    “O que significa ter colesterol LDL elevado?”
•    “Como funciona uma ressonância magnética?”
•    “Quais são, de forma geral, os fatores de risco para diabetes tipo 2?”
•    “O que costuma incluir uma consulta de cardiologia?”
•    “Quais são as diferenças entre gripe e constipação?”

Nestes casos, o objetivo é obter informação geral ou explicativa, não um diagnóstico médico personalizado.

 

“Maus” exemplos de perguntas 

Estas formulações de perguntas podem levar a interpretações incorretas ou decisões inseguras:

•    “Tenho estas dores no peito. O que tenho?”
•    “Devo parar de tomar este medicamento?”
•    “Com estes sintomas, acha que é cancro?”
•    “Que tratamento devo fazer para esta situação?”
•    “Com base nestes resultados de análises, estou doente?”

Estas questões exigem uma avaliação clínica individual, análise de exames e integração do historial médico, algo que um LLM não consegue fazer.
 

Pesquisas de saúde nos LLM: perguntas frequentes

De seguida, damos resposta a algumas das dúvidas mais comuns sobre pesquisas de saúde nos LLM.

  • O ChatGPT pode substituir uma consulta médica?

  • É seguro pesquisar sintomas nos LLM?

  • Posso usar o ChatGPT para decidir tratamentos ou medicação?

Pesquisas sobre saúde: esclareça as suas dúvidas com o apoio da Joaquim Chaves Saúde 

A tecnologia está cada vez mais presente na forma como procuramos informação. Utilizada com sentido crítico, pode ser uma aliada. No entanto, quando se trata de diagnóstico, tratamento ou decisões clínicas, a avaliação médica continua a ser essencial.

Na Joaquim Chaves Saúde, encontra equipas multidisciplinares preparadas para esclarecer, diagnosticar e acompanhar cada situação de forma personalizada, com base na evidência científica e na sua história clínica. Faça a marcação da sua consulta, ou de análises clínicas, e descubra um conjunto de especialistas disponíveis para o apoiar com segurança e rigor.

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