O cancro no rim afeta, em Portugal, 1600 pessoas por ano. Descubra a que deve estar atento e como tratar.
O cancro no rim é uma doença silenciosa, sem sintomas relevantes. Geralmente, é detetado entre os 50 e os 70 anos de idade, através de exames de rotina. Raramente é detetado em estado avançado. Quando diagnosticado precocemente, as taxas de remissão podem superar os 90% a 10 anos. Descubra os principais sintomas e o que deve fazer se estiver em risco.
O que é a neoplasia maligna do rim?
A neoplasia maligna do rim (cancro do rim) ocorre quando há uma alteração genética que faz com que as células renais se multipliquem de forma descontrolada e autónoma. Esta proliferação pode originar um tumor maligno. Designado clinicamente por carcinoma de células renais, estas células malignas têm a capacidade de invadir tecidos saudáveis, acabando por também afetar outros órgãos através de metástases.
Quando o cancro do rim é detetado precocemente, é mais fácil tratar com sucesso. Em fases mais avançadas, o tumor renal pode ser muito grande, tornando a sua cirurgia mais complexa. Assim, quanto mais tempo demorar o diagnóstico, pior o desfecho. É, por isso, que é essencial seguir os exames clínicos de rotina prescritos pelo seu médico e estar atento a determinados sinais e sintomas.
Quais são os fatores de risco?
É ainda desconhecido o agente causador das mutações genéticas. Contudo, existem vários fatores que são considerados de risco, na medida em que podem aumentar a probabilidade de desenvolver este tipo de cancro. Tenha, contudo, em atenção que os fatores de risco não significam necessariamente que terá neoplasia do rim e pessoas que nunca apresentaram qualquer destes sinais podem, todavia, desenvolver esta doença.
• Tabagismo: O tabaco é o principal fator de risco para desenvolver cancro do rim. Os fumadores apresentam duas vezes mais probabilidade de ter este tipo de cancro comparativamente aos não fumadores.
• Obesidade: As pessoas com excesso de peso apresentam um risco acrescido de desenvolver cancro do rim.
• Hipertensão: As pessoas que apresentam sistematicamente valores altos de tensão arterial têm maior probabilidade de ter cancro do rim.
• Hereditariedade: Ter um familiar de primeiro grau com cancro de rim é também um fator de risco potencial.
• Diálise crónica: Estar em programas de diálise há muitos anos, para compensar a função renal comprometida, é outro fator de risco.
• Profissão: Os trabalhadores com exposição prolongada a produtos químicos clorados no local de trabalho estão em risco de ter cancro de rim, como, por exemplo, os forneiros da indústria do ferro e do aço ou trabalhadores expostos a amianto ou a cádmio.
• Género: O cancro do rim é mais frequente nos homens do que nas mulheres, na proporção estimada de 3 para 2.
• Síndrome de Von Hippel-Lindau (VHL): Esta é uma doença rara que altera o gene VHL, o que, por sua vez, aumenta o risco de desenvolver esta neoplasia. Os familiares de quem tem esta doença podem realizar exames para confirmar se também têm anomalias neste gene, para que os médicos possam dar as devidas orientações clínicas antes que os sintomas apareçam.
Assim, se pensa que poderá estar em risco, discuta essa preocupação com o seu médico urologista, logo que possível.
Quais os sintomas do cancro do rim?
A maioria não apresenta qualquer sintoma em estadios iniciais e são, muitas vezes, descobertos acidentalmente numa ecografia ou TAC abdominal. No entanto, deverá estar atento e consultar o seu médico urologista se tiver sangue na urina, dor lombar persistente, perda de apetite ou de peso, febre, cansaço e fadiga.
Em estadios mais avançados, o cancro pode disseminar-se para o fígado, pulmão ou osso. Nesses casos, os sinais mais comuns são a falta de ar, tosse com sangue, dores nos ossos ou uma massa abdominal palpável ou visível.
Como é diagnosticado?
O diagnóstico é realizado pelo médico urologista, através da recolha da história clínica do doente, em conjunto com alguns exames de diagnóstico.
• Exame físico: Numa primeira consulta, o médico avalia sinais gerais, como febre, tensão arterial, palpação do abdómen e das regiões laterais.
• Análises ao sangue e urina: O laboratório analisa a urina para verificar a existência de vestígios de sangue. Na análise do sangue pode ser determinada a função renal e outros elementos que indicam a agressividade do tumor renal presente.
• Exames de imagem: O médico poderá recorrer a ecografia renal, tomografia computorizada (TC ou TAC) ou ressonância magnética para obter uma sequência de imagens detalhadas dos rins e, assim, confirmar a existência do tumor.
• Biópsia: No caso de dúvidas, a biópsia consiste na recolha de uma amostra de tecido renal para ser analisada no Laboratório de Anatomia Patológica, permitindo observar a existência de células tumorais e, assim, confirmar o diagnóstico.
O estadiamento é essencial para determinar o tipo de tratamento a implementar.
o Estádio I - tumor de pequenas dimensões, menor que 7 cm.
o Estádio II - tumor de maiores dimensões, maior que 7 cm.
o Estádio III - tumor que invade a veia renal e/ou veia cava.
o Estádio IV - tumor que invade, de forma extensa, os tecidos à volta do rim, ou apresenta metástases noutros órgãos.






