A enxaqueca causa episódios prolongados de grande sofrimento com uma dor incapacitante de repercussões profissionais e sociais muito significativas. Descubra o que pode causar a enxaqueca e como pode ser tratada.
O que é a enxaqueca?
A enxaqueca é uma cefaleia primária em que ocorrem episódios de dor pulsátil ou latejante muito intensos, intervalados por períodos sem sintomas. Trata-se de uma doença neurológica que pode afetar um ou ambos os lados da cabeça. Além da dor de cabeça debilitante, pode ser acompanhada por náuseas, vómitos e sensibilidade aumentada a sons, luz ou odores.
A enxaqueca pode surgir em qualquer idade, sendo mais frequente no início da idade adulta, tornando-se menos intensa (ou desaparece) a partir dos 50 anos. Esta doença neurológica afeta cerca 14% da população global, sendo que a prevalência em mulheres é aproximadamente o dobro da dos homens. Acredita-se que esta diferença esteja relacionada com a ação “protetora” da testosterona masculina.
Que tipos de enxaqueca existem e quais os seus sintomas?
A enxaqueca pode manifestar-se de diferentes formas, existindo mais de 100 tipos identificados.
Listamos de seguida os mais frequentes:
Enxaqueca com aura
A enxaqueca com aura é caracterizada por um conjunto de alterações sensoriais e percetivas. Os sinais mais comuns incluem pontos pretos ou brilhantes na visão, sensação de formigueiro ou incapacidade de falar com clareza. Estes sinais são transitórios, ou seja, completamente reversíveis e, em regra, precedem a dor.
Enxaqueca sem dor de cabeça
A enxaqueca também pode existir sem dor, sendo que esta variante se manifesta apenas através dos sinais como distúrbios visuais ou náuseas.
Enxaqueca ocular
Esta variante de enxaqueca causa perda temporária de visão num dos olhos, sendo mais frequente em mulheres durante o período fértil. Neste caso, deve procurar de imediato ajuda médica, porque pode originar complicações mais severas.
Enxaqueca vestibular
Os pacientes com enxaqueca vestibular apresentam sintomas relacionadas com vertigens, ou seja, falsa impressão de movimento, quer de si próprios, quer do ambiente. Também pode haver sensações de tontura.
Enxaqueca crónica
A enxaqueca é considerada crónica quando os pacientes sofrem desta doença neurológica durante, pelo menos, 15 dias por mês, atingindo níveis elevados de incapacidade.
Enxaqueca hemiplégica
Na enxaqueca hemiplégica, o paciente apresenta perda de sensibilidade e a sensação de receber alfinetadas no corpo. Pode não ocorrer dor.
Qual o tempo médio de duração da enxaqueca?
As crises de enxaqueca podem durar horas ou dias, com sintomas que se vão agravando nas primeiras horas. Geralmente, seguem as seguintes fases:
Pródromo
Nesta fase, há sensações que avisam que uma crise está prestes a começar. Os sinais premonitórios podem incluir fadiga, dificuldade de concentração, alteração do apetite e/ou do humor, irritabilidade ou inquietação.
Aura
Nesta fase, os sintomas são mais severos e podem incluir uma série de alterações visuais e percetivas. Estas alterações são um sintoma normal da enxaqueca e não sinalizam danos neurológicos ou visuais. Nem todos os pacientes apresentam esta fase.
Dor de cabeça
Durante esta fase, a dor é intensa e agravada pelo movimento. Tipicamente, as enxaquecas diminuem durante o sono. Podem também ocorrer náuseas, vómitos e extrema sensibilidade à luz e/ou som. Crises graves podem interromper a vida familiar e profissional.
Pósdromo
Esta é a fase final, caracterizada pela diminuição progressiva dos sintomas. Em alguns casos, a crise pode também desaparecer de forma repentina. Muitos pacientes relatam uma sensação de “ressaca” após a crise.
Enxaqueca: causas
A enxaqueca é provocada por uma dilatação dos vasos sanguíneos cerebrais, que pode ter diversas causas, ainda pouco conhecidas. Contudo, encontram-se identificados alguns fatores que, embora não estejam na origem da enxaqueca, podem desencadear ou agravar as crises. É importante ter em conta que estes fatores variam de pessoa para pessoa.
Eis as causas mais comuns:
- Insónias;
- Mudanças climáticas;
- Jejum prolongado;
- Estimulação excessiva dos sentidos;
- Stress;
- Níveis aumentados de estrogénio.
Embora a relação causa-efeito não seja totalmente clara, alguns alimentos, como queijos curados, chocolate, álcool, marisco, morangos, alimentos processados ou excesso de cafeína, têm sido associados à enxaqueca. Além disso, poderá haver uma causalidade genética, ou seja, doentes com historial familiar de enxaqueca apresentam maior propensão a desenvolver esta doença neurológica.
Como é feito o diagnóstico da enxaqueca?
O diagnóstico da enxaqueca é efetuado pelo neurologista, através da recolha da história clínica e dos exames físicos e neurológicos. Em alguns casos, o médico poderá recorrer à TAC ou à ressonância magnética para excluir outras doenças. O diagnóstico é feito quando os sintomas são típicos e os resultados dos exames não apontam para outras patologias subjacentes.
Há casos em que a enxaqueca não é uma patologia por si só, mas um sintoma de um distúrbio mais grave. Os exames neurológicos são sempre necessários quando a enxaqueca tem expressões mais atípicas, como as seguintes:
- Crise com início agudo, em poucos segundos;
- Começo após os 50 anos;
- Aumento exponencial de intensidade e frequência;
- Historial de cancro;
- Sistema imunitário enfraquecido;
- Presença de febre ou rigidez do pescoço.
Qual é o tratamento da enxaqueca?
Embora não exista uma cura definitiva, a enxaqueca pode ser eficazmente controlada. Ao procurar ajuda médica, é frequente que o especialista peça um diário das enxaquecas, onde os pacientes escrevem o número e a distribuição das crises, bem como os possíveis fatores que as desencadeiam. Desta forma, o médico terá a informação necessária para prescrever o tratamento mais adequado e eficaz.
As orientações médicas mais comuns podem incluir:
- Terapêutica medicamentosa para alívio dos sintomas (como analgésicos, anti-inflamatórios, antieméticos, triptanos,);
- Repouso num local silencioso e escuro;
- Aplicação de pressão ou frio no local da dor;
- Prática de técnicas de relaxamento, especialmente quando o stress é um desencadeante;
- Alteração do estilo de vida, como regularização do sono, prática de atividade física, cessação de tabagismo, cuidados alimentares ou redução do stress;
- Acupuntura;
- Homeopatia.
É importante lembrar que qualquer tratamento deve ser sempre estabelecido pelo médico, uma vez que a intervenção mais adequada depende de cada caso em particular, pois o que pode ter sido benéfico para uma pessoa pode não o ser para outra.
Enxaqueca: que cuidados ter?
Adotar alguns cuidados no dia a dia pode ajudar a minimizar o impacto da enxaqueca, reduzir a frequência das crises e melhorar a qualidade de vida. Eis alguns cuidados importantes:
Mantenha uma rotina de sono regular
Dormir poucas horas ou em excesso pode desencadear crises de enxaqueca. É importante manter horários regulares para deitar e acordar, promovendo um descanso adequado e consistente.
Reduza o stress
O stress é um dos principais fatores associados ao aparecimento das crises. Técnicas como respiração profunda, meditação, mindfulness ou pausas regulares ao longo do dia podem ajudar a reduzir a tensão acumulada.
Evite estímulos sensoriais intensos
Luzes fortes, ruídos elevados e odores intensos podem agravar ou desencadear crises. Sempre que possível, deve minimizar-se a exposição a estes estímulos, sobretudo em períodos de maior sensibilidade.
Recorra à medicação de forma adequada
A medicação deve ser utilizada apenas de acordo com a orientação médica. O uso excessivo ou inadequado de analgésicos pode levar ao agravamento das crises e ao desenvolvimento de cefaleia por uso excessivo de medicamentos.
Mantenha acompanhamento médico regular
O seguimento em consulta de Neurologia permite ajustar o tratamento, avaliar a evolução da doença e prevenir complicações, especialmente em casos de enxaqueca frequente ou incapacitante.
Como prevenir a enxaqueca?
Embora nem sempre seja possível evitar totalmente as crises, algumas medidas preventivas podem contribuir para um melhor controlo da enxaqueca.
Identifique fatores desencadeantes
Cada pessoa pode ter fatores desencadeantes diferentes. Manter um diário dos episódios de enxaqueca ajuda a reconhecer padrões associados às crises, como alimentos, alterações hormonais, stress ou privação de sono.
Evite longos períodos de jejum
Ficar muitas horas sem comer pode precipitar crises. O ideal é manter refeições regulares e equilibradas ao longo do dia, de forma a evitar crises.
Tenha uma alimentação equilibrada
Alguns alimentos podem estar associados à enxaqueca em determinadas pessoas. Reduzir o consumo de álcool, cafeína em excesso e alimentos ultraprocessados pode ajudar a prevenir crises.
Pratique atividade física regularmente
O exercício físico moderado e regular contribui para a redução do stress e para o bem-estar geral, podendo ter um efeito positivo na prevenção da enxaqueca.
Implemente técnicas de relaxamento
Atividades como yoga, alongamentos, massagens ou exercícios de respiração ajudam a reduzir a tensão física e emocional, frequentemente associada às crises.
Siga a terapêutica preventiva (quando indicada)
Em casos de crises frequentes ou muito incapacitantes, o médico pode recomendar medicação preventiva, com o objetivo de reduzir a frequência, a intensidade e a duração das crises.






