Sabia que, ao longo da sua vida, 1 em cada 10 mulheres poderá ser diagnosticada com alterações anormais no colo do útero? E que estas alterações podem evoluir para lesões mais graves, como cancro do colo do útero, se não forem tratadas? Assim, a conização, um dos procedimentos essenciais para identificar e remover lesões precoces no colo do útero, pode salvar vidas. Descubra o que é, quando deve ser feita e os cuidados a ter.
O que é a conização?
A conização, tecnicamente chamada de biópsia em cone, é um procedimento cirúrgico realizado no colo do útero. Este procedimento envolve a remoção de um pequeno segmento do tecido do colo, em forma de cone, para análise e, em alguns casos, tratamento. O termo "cone" refere-se ao formato específico da porção retirada, que inclui tanto a camada exterior como uma parte mais profunda do tecido cervical.
Para que serve a conização?
A conização é um procedimento médico essencial para o diagnóstico e tratamento de alterações no colo do útero, especialmente quando são detetadas lesões suspeitas em exames como o Papanicolau ou a colposcopia. A principal função deste procedimento é obter uma amostra de tecido para análise, permitindo identificar a presença de lesões pré-cancerosas, cancro em estágio inicial ou outras condições anómalas.
Além disso, a conização pode ser um tratamento em si. Quando as lesões detetadas são de alto grau – indicando um risco elevado de progressão para cancro – a remoção da área afetada pode, muitas vezes, resolver o problema de forma definitiva, impedindo a evolução para algo mais grave.
Como é feito o procedimento?
A conização é um procedimento cirúrgico relativamente simples que não requer internamento. O processo começa com a administração de anestesia local, para garantir o conforto durante o processo.
Durante o procedimento, o médico introduz um espéculo vaginal para aceder ao colo do útero – tal como acontece durante um exame de Papanicolau. De seguida, com um instrumento de eletrocirurgia, é removida uma pequena porção em forma de cone do tecido do colo do útero.
Após a remoção do tecido, o local é tratado para evitar hemorragias e facilitar a recuperação. Para tal, o médico insere um medicamento em forma de esponja, que ajuda na coagulação e protege a zona intervencionada.
O tecido retirado é então enviado para análise laboratorial, onde será examinado para confirmar a presença ou ausência de alterações celulares. Ao todo, o procedimento em si dura entre 15 e 30 minutos. No final, a paciente permanece em repouso e observação durante cerca de 1 hora.
É necessário fazer algum tipo de preparação?
Os preparativos para a conização são simples, mas indispensáveis para garantir que tudo decorre sem complicações.
No dia anterior, pode seguir a sua rotina habitual, salvo indicação contrária do médico. Caso tenha recebido uma prescrição de medicação prévia, é fundamental tomá-la de acordo com as instruções fornecidas.
No dia do procedimento, é aconselhado tomar o pequeno-almoço, a menos que tenha sido especificamente recomendado jejum devido à anestesia. Também deve cumprir qualquer medicação indicada para esse dia.
É altamente recomendado que seja acompanhada por alguém de confiança, para a apoiar no regresso a casa com maior conforto e segurança.
Conização: recuperação
A recuperação após a conização é, na maioria dos casos, simples e rápida, mas exige alguns cuidados específicos para garantir que o tecido cicatriza adequadamente.
Logo a seguir ao procedimento, algumas pacientes podem sentir um ligeiro desconforto ou cólicas abdominais, semelhantes às dores menstruais. Contudo, este sintoma é geralmente passageiro e controlável com medicação analgésica.
Nos dias seguintes, é comum ocorrer um pequeno sangramento vaginal ou corrimento. Este é um sinal natural do processo de cicatrização e o tempo de sangramento após conização pode persistir durante algumas semanas. No entanto, é importante estar atenta a sinais de alerta, como febre, dor intensa ou hemorragias abundantes, que devem ser comunicados de imediato ao médico.
Para ajudar, no tempo de recuperação da conização, evite relações sexuais, uso de tampões, duches vaginais, banhos de imersão e atividades físicas intensas durante, pelo menos, quatro a seis semanas (ou conforme as recomendações do médico ginecologista). Estas medidas são fundamentais para prevenir infeções e permitir que o tecido do colo do útero cicatrize adequadamente.




