Cancro da bexiga: causas, sintomas e tratamento

O cancro da bexiga afeta milhares de portugueses todos os anos. Contudo, é pouco falado e discutido. Conheça os sinais a que deve estar atento e como tratar.

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sintomas do cancro da bexiga

Todos os anos, surgem mais de 3.500 novos casos de cancro da bexiga em Portugal, o equivalente a 5% de todos os cancros detetados no nosso país. É três vezes mais frequente no homem do que na mulher e tem um pico de incidência entre os 60 e 70 anos. Conhecer os sintomas e saber que passos dar é essencial para aumentar a eficácia do tratamento. Descubra o que é o cancro da bexiga, como se manifesta e como pode ser tratado. 

 

O que é cancro da bexiga? 

O cancro da bexiga é um tipo de cancro no qual as células que revestem o interior da bexiga se multiplicam de forma descontrolada e irregular, ultrapassando o ritmo normal da renovação celular e dando origem à acumulação de células cancerígenas. Estas têm a capacidade de migrar e de se alojar noutros órgãos (metastização), invadindo e destruindo tecidos. 

O cancro da bexiga é, geralmente, maligno; apenas 5% dos tumores são benignos. Quando se mantém nas camadas superficiais da bexiga, é considerado um tumor maligno não invasivo. Por outro lado, quando invade a parede ou outras partes da bexiga, passa a ser considerado como um tumor maligno profundo ou invasivo. Em fases mais avançadas, infiltra-se em órgãos próximos ou nos gânglios linfáticos, progredindo até se espalhar para zonas distantes do corpo. 

 

Que tipos de cancro da bexiga existem?  

O cancro da bexiga não é uma doença única. Existem diferentes tipos, classificados de acordo com o tipo de células onde o tumor se desenvolve. Esta distinção é importante porque influencia a forma como a doença evolui e as respetivas opções de tratamento.

Carcinoma urotelial (ou carcinoma de células transicionais) 

É o tipo mais frequente de cancro da bexiga. Desenvolve-se nas células uroteliais, que revestem o interior da bexiga e permitem que este órgão se expanda à medida que armazena urina. Pode apresentar-se de forma não invasiva, limitada à camada superficial, ou invasiva, quando atinge camadas mais profundas da parede da bexiga.

Carcinoma espinocelular 

Este tipo de cancro da bexiga é menos comum e está geralmente associado a irritação ou inflamação crónica da bexiga, como infeções urinárias recorrentes. Tem tendência para ser diagnosticado em fases mais avançadas.

Adenocarcinoma 

É um tipo raro de cancro da bexiga, que se desenvolve em células glandulares. Pode estar relacionado com alterações crónicas da mucosa da bexiga e, tal como o carcinoma espinocelular, é habitualmente mais agressivo.

Quais os sintomas do cancro da bexiga?

Os sintomas do cancro da bexiga variam consoante o estadio da doença e, nas fases iniciais, podem ser ligeiros ou intermitentes. Muitos destes sinais são semelhantes aos de outras doenças urinárias benignas, o que pode atrasar o diagnóstico. Estes são alguns dos sinais a que deve estar atento:

  • Sangue na urina (hematúria)

  • Alterações nos hábitos urinários

  • Dor ou ardor ao urinar

  • Dificuldade em urinar ou jato urinário fraco

  • Dor na região pélvica ou abdominal inferior

  • Dor lombar

  • Outros sintomas gerais

Quais as causas do cancro da bexiga?

Existem algumas causas e fatores de risco sinalizados pela comunidade científica para o desenvolvimento do cancro da bexiga.

Tabagismo

Este é o principal fator de risco para o desenvolvimento do cancro da bexiga, estando na origem de mais de 50% dos casos na população masculina e mais de 20% na população feminina. A duração do hábito e o número de cigarros fumados por dia estão diretamente relacionados com a incidência.

Exposição a produtos químicos

Vários estudos apontam para um maior risco de cancro da bexiga em pessoas expostas a aminas aromáticas cancerosas, presentes nas indústrias de corantes, borrachas, têxteis, couros ou tintas. A exposição a determinados produtos químicos é responsável por uma proporção significativa dos casos de cancro da bexiga, podendo representar cerca de 20% dos diagnósticos.

Idade e género

Quanto mais avançada for a idade, maior o risco de desenvolver cancro da bexiga. Este cancro tem um pico de incidência entre os 60 e os 70 anos de idade. Além disso, o género masculino é mais afetado do que o feminino, na proporção de 3 para 1. Contudo, é no género feminino que se observam mais atrasos no diagnóstico e piores taxas de sobrevivência – devido a muitas vezes serem diagnosticadas como infeções urinárias.

Infeções urinárias recorrentes

O cancro da bexiga tem sido diretamente relacionado com a presença de infeção crónica do trato urinário, o que é especialmente frequente, por exemplo, em casos de cateterizações prolongadas. 

Genética

Existe evidência científica de suscetibilidade genética na incidência de cancro da bexiga. Antecedentes pessoais ou familiares desta doença constituem um importante fator de risco, especialmente em pais ou irmãos.

 

Como é feito o diagnóstico do cancro da bexiga?

O diagnóstico do cancro da bexiga é realizado pelo médico urologista. O processo começa por excluir a presença de outras patologias com sintomas semelhantes, como, por exemplo, infeções urinárias, cálculos no trato urinário, hiperplasia benigna da próstata, etc.

Assim, o médico urologista fará a recolha da história clínica e dos sintomas presentes. Nos casos suspeitos, são pedidas análises à urina e outros exames complementares, como a citologia urinária, ecografia, TAC e cistoscopia. Este último é o exame mais sensível e consiste na introdução de um cistoscópio pela uretra até à bexiga, para observar a mucosa e identificar a lesão tumoral.

Além de permitirem a confirmação do diagnóstico de cancro da bexiga, estes exames fazem também o estadiamento da doença, para ajudar a perceber se o tumor já invadiu outros órgãos e, em função disso, desenhar o plano terapêutico mais adequado. 

De uma forma geral, o estadiamento do cancro da bexiga é realizado com base na classificação TNM:
   T (Tumor): descreve o tamanho do tumor, numa escala de T1 a T4.
   N (Nódulos): descreve a disseminação do tumor para gânglios linfáticos, numa escala de N0 a N3.
•    M (Metástases): descreve a disseminação do tumor para outras partes do corpo, numa escala de M0 a M1.

Quando o cancro da bexiga é diagnosticado precocemente, é possível que a intervenção tenha um objetivo curativo. Contudo, quando é detetado tardiamente, a taxa de sobrevivência é drasticamente menor e o objetivo da intervenção, neste caso, passa por conceder ao doente o máximo de qualidade de vida possível.

Em que consiste o tratamento do cancro da bexiga?

O tratamento para o cancro da bexiga deve ser determinado pelo médico urologista e encontra-se dependente do estadiamento da doença, da idade e estado geral do paciente e outras particularidades de cada caso que se revelem importantes. Em geral, o tratamento é desenhado com base nas seguintes intervenções, de forma isolada ou combinada.

  • Resseção transuretral da bexiga

  • Cistectomia radical

  • Radioterapia

  • Quimioterapia

  • Imunoterapia

Que cuidados ter para evitar o cancro da bexiga?

Embora nem todos os casos de cancro da bexiga possam ser evitados, a adoção de alguns hábitos saudáveis pode ajudar a reduzir o risco de desenvolver a doença. Conheça os principais cuidados a ter:

Evite o tabaco

Fumar é o principal fator de risco para o cancro da bexiga. As substâncias tóxicas do tabaco são filtradas pelos rins e eliminadas pela urina, permanecendo em contacto com a bexiga e podendo provocar alterações nas suas células.

Beba água em quantidade adequada

Uma boa hidratação contribui para a diluição da urina e para a eliminação mais frequente de substâncias potencialmente nocivas, reduzindo o tempo de contacto com a parede da bexiga.

Tome precauções no contacto com produtos químicos

A exposição prolongada a certos produtos químicos industriais pode aumentar o risco da doença. Sempre que aplicável, devem ser cumpridas as normas de segurança no local de trabalho, incluindo o uso de equipamentos de proteção individual.

Mantenha uma alimentação equilibrada

Uma dieta rica em frutas, legumes e alimentos com propriedades antioxidantes pode contribuir para a proteção das células do organismo e para a manutenção da saúde do trato urinário.

Não ignore sintomas urinários

Alterações como sangue na urina, dor ao urinar ou necessidade frequente de urinar devem ser avaliadas por um médico. O diagnóstico precoce é fundamental para um tratamento mais eficaz.

Cancro da bexiga: perguntas frequentes

De seguida, damos resposta a algumas das dúvidas mais comuns sobre cancro da bexiga. 

Quais são os primeiros sintomas do cancro da bexiga? 

O sintoma mais comum é a presença de sangue na urina, geralmente sem dor. Outros sinais podem incluir dor ou ardor ao urinar, aumento da frequência urinária e sensação de bexiga sempre cheia. Estes sintomas podem também estar associados a outras condições, pelo que devem ser avaliados por um médico.

O cancro da bexiga tem cura? 

Quando diagnosticado precocemente, o cancro da bexiga tem elevadas taxas de sucesso no tratamento. A evolução e o prognóstico dependem do tipo de tumor, do seu estadio e da resposta ao tratamento.

Fumar pode mesmo causar cancro da bexiga? 

Sim. O tabaco é o principal fator de risco conhecido de cancro da bexiga. As substâncias cancerígenas inaladas são eliminadas pela urina, acumulando-se na bexiga e aumentando significativamente o risco de desenvolvimento da doença.

Como é feito o diagnóstico do cancro da bexiga? 

O diagnóstico do cancro da bexiga pode incluir análises à urina, exames de imagem e uma cistoscopia, que permite observar diretamente o interior da bexiga. Em alguns casos, pode ser necessária uma biópsia para confirmar o diagnóstico.

O cancro da bexiga pode voltar após o tratamento? 

Sim, o cancro da bexiga é uma doença com risco de recorrência, mesmo após tratamento bem-sucedido. Por esse motivo, o acompanhamento médico regular é fundamental para detetar precocemente qualquer reaparecimento.

Joaquim Chaves Saúde, pelo bem da sua saúde 

Quanto mais cedo agir, melhores são as probabilidades de deteção e cura. Por isso, esteja atento aos sinais e esclareça o quanto antes o seu quadro clínico. Só há uma forma de saber se existe mesmo um problema grave: pedir ajuda médica. 

Na Joaquim Chaves Saúde, poderá contar com o acompanhamento próximo de uma equipa experiente e especializada, apoiada pelos meios tecnológicos mais inovadores e eficazes. Não facilite, marque a sua consulta e tire as suas dúvidas.

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Temos uma equipa de médicos e profissionais de saúde, especialista em diversas áreas, disponível para lhe dar o acompanhamento de que necessita.

António Manuel Garcias Soares
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António Manuel Garcias Soares
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Oncologia Urológica (tumores da próstata, rins, bexiga, testículos e pénis) , Patologia prostática (HBP, prostatite) , Incontinência urinária , Litíase (cálculos do rim, ureter e bexiga)
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