Quais as causas do Lipedema?
A causa exata do lipedema ainda não é totalmente conhecida, mas sabemos hoje que há alguns fatores que costumam estar associados a esta condição, dos quais se destacam:
Muitas mulheres com lipedema têm familiares próximas (ex.: mãe, avó, irmãs) com o mesmo problema. Isto sugere que existe uma predisposição genética, ou seja, em algumas famílias há uma maior probabilidade de desenvolver esta condição.
Por outro lado, o lipedema costuma surgir ou agravar-se em fases de grande alteração hormonal: puberdade, gravidez e menopausa. Estas hormonas influenciam como o corpo distribui a gordura. Por isso, em mulheres geneticamente predispostas, estas fases podem ser “gatilhos” para que a doença se manifeste.
Como é feito o diagnóstico do Lipedema?
O diagnóstico baseia-se no exame físico e na avaliação dos sintomas descritos. O médico analisa as áreas afetadas e avalia sinais específicos. As abordagens de diagnóstico incluem:
- Anamnese detalhada: o médico solicita o historial familiar da pessoa afetada (para perceber, por exemplo, se existe componente hereditária), estabelecendo os momentos de início e evolução da doença.
- Exame físico: é aplicada pressão para perceber a sensibilidade dos depósitos de gordura; verifica-se se as mãos e os pés têm manifestações da doença; o médico irá, ainda, aferir se há tendência para hematomas (nódoas negras sem causa aparente).
- Avaliação por imagem: podem ser realizados exames, como, por exemplo, ecografia subcutânea, ecografia Doppler para excluir problemas venosos; a linfocintigrafia (exame realizado ao sistema linfático) pode ser requisitada se houver suspeita de comprometimento linfático.
- Exclusão de outras causas: como é o caso de obesidade localizada, lipomas, linfedema primário ou insuficiência venosa.
Lipedema vs linfedema: qual a diferença?
Embora os nomes sejam parecidos, lipedema e linfedema são problemas diferentes. Uma pessoa pode ter só lipedema, só linfedema ou ambos em simultâneo (uma condição chamada lipo-linfedema).
Por isso, a avaliação por um profissional especializado é muito importante para identificar corretamente o problema e definir o melhor plano de tratamento.
Lipedema
É uma alteração na forma como a gordura se acumula, principalmente nas pernas e, por vezes, nos braços. O aumento de volume é simétrico, dói ao toque e provoca fácil formação de hematomas. As mãos e os pés não costumam ser afetados. As dietas e exercício não reduzem esta gordura de forma significativa.
Linfedema
É um inchaço causado por um problema no sistema linfático, que é o responsável por drenar líquidos do corpo. Quando esse sistema não funciona bem, a região começa a acumular líquido, ficando inchada, pesada e podendo até endurecer com o tempo.
Ao contrário do lipedema, o inchaço pode ser apenas de um lado do corpo e é comum que as mãos ou os pés também inchem.
Em que consiste o tratamento do Lipedema?
O tratamento do lipedema é adaptado ao estado da pessoa e respetivos sintomas. Apesar de não existir uma cura, há diversas abordagens terapêuticas que permitem controlar os sintomas e, assim, melhorar a qualidade de vida.
As abordagens incluem:
- Terapia de compressão: é indicado o uso de medidas compressivas que reduzem o inchaço e fornecem suporte às áreas do corpo afetadas (estas medidas são especialmente importantes quando há comprometimento linfático associado).
- Drenagem linfática manual: pode ser recomendada uma massagem especializada, que estimula o sistema linfático, para drenar o excesso de líquidos acumulados.
- Exercício físico: as atividades de baixo esforço, como é o caso da caminhada ou da natação, permitem melhorar a circulação sanguínea e, dessa forma, reduzir o inchaço.
- Lipoaspiração: este procedimento cirúrgico remove a gordura acumulada, aliviando os sintomas e melhorando a mobilidade dos doentes (em casos selecionados).
- Apoio psicológico e reabilitação: há casos em que pode ser indicado apoio psicológico, fisioterapia para marcha e treino funcional, bem como acompanhamento nutricional, de forma a melhorar o dia a dia da pessoa afetada.
Lipedema: que cuidados ter?
Embora não haja uma cura para o lipedema, pequenos cuidados permitem aliviar o desconforto do doente e melhorar o seu dia a dia:
Evitar permanecer longos períodos na mesma posição
Ficar muito tempo na mesma posição (em pé ou sentado) pode piorar a sensação de peso e aumentar o inchaço nas pernas. Por isso, mexer o corpo regularmente ajuda a manter a circulação ativa e reduz o desconforto no final do dia.
Usar meias de compressão
As meias de compressão ajudam a controlar o inchaço e a sensação de pressão nas pernas. São especialmente úteis em dias de maior atividade, viagens longas ou calor, quando o inchaço tende a piorar.
Fazer pausas para ativar a circulação
Levantar-se alguns minutos ao longo do dia, mesmo que seja apenas para dar alguns passos, faz muita diferença. Este movimento simples ajuda o corpo a drenar líquidos e evita que as pernas fiquem tão pesadas.
Manter um peso saudável
Embora o lipedema não esteja diretamente ligado ao peso, o excesso pode aumentar a pressão nas articulações e agravar o desconforto. Um peso equilibrado promove mobilidade e bem-estar geral.
Realizar atividade física regular e de baixo impacto
Exercícios suaves (ex.: caminhada ou natação) ajudam a melhorar a circulação, fortalecem os músculos e aliviam a sensação de rigidez. A hidroginástica, por exemplo, combina movimento com a pressão da água, que funciona quase como uma compressão natural.
Optar por uma dieta equilibrada
Escolher alimentos frescos e variados ajuda a reduzir estados inflamatórios no corpo e a manter níveis de energia mais estáveis. Evitar produtos ultraprocessados e açúcares em excesso contribui para controlar o inchaço e o bem-estar geral.
Hidratar bem a pele
A pele afetada pelo lipedema pode tornar-se mais sensível e seca. Usar cremes hidratantes diariamente fortalece a barreira cutânea, ajuda a evitar pequenas feridas ou fissuras e diminui o risco de irritações.
Faça verificações regulares
A vigilância e deteção precoce dos sintomas são fundamentais, especialmente se tiver histórico familiar desta doença. Trate cedo qualquer componente venosa/linfática (associada ao funcionamento das veias e do sistema linfático) que possa surgir.