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Joaquim Chaves Saúde | Coronavírus (COVID-19) - Perguntas Frequentes

27/03/2020

27/03/2020

Joaquim Chaves Saúde | Coronavírus (COVID-19) - Perguntas Frequentes

O que é o Coronavírus?

Os coronavírus são uma família de vírus que causam habitualmente doenças ligeiras semelhantes a gripe no ser humano. Nalguns casos pode ocorrer pneumonia. A infeção pelo novo coronavírus, designada de COVID-19, tem particularidades que o distinguem dos anteriores pela rapidez com que se propaga e pela maior percentagem de casos graves.


Qual é a origem do vírus?

Os coronavírus são uma família de vírus. Alguns causam doenças nas pessoas e outros como os coronavírus caninos e felinos, só afetam animais. Raramente os coronavírus animais podem infetar as pessoas. É o caso da COVID-19. Essa situação já ocorreu pontualmente noutras epidemias prévias de coronavírus.


Como se transmite?

A COVID-19 transmite-se por contacto próximo com pessoas infetadas pelo vírus, ou com superfícies e objetos contaminados.

O vírus que causa a COVID-19 propaga-se com facilidade na comunidade. Muitas pessoas são contaminadas sem terem a noção de como isso ocorreu. Podem ter sido contagiadas por pessoas infetadas e sem sintomas.


A COVID-19 transmite-se fundamentalmente de PESSOA-A-PESSOA através de gotículas projetadas pelo nariz ou boca quando tossimos ou espirramos. Essas gotículas infetadas podem atingir diretamente a boca, nariz e olhos de quem estiver próximo ou depositar-se em superfícies e aí permanecer, infetando as mãos de outras pessoas que, ao tocarem na boca, nariz e olhos, transportam o vírus para novas pessoas.


Outras vias de transmissão:

a) fezes e urina- através de partículas de aerossóis ou por contacto;

b) saliva.


A contaminação por aerossóis é possível quando há exposição a elevadas concentrações de aerossóis contendo vírus durante um período de tempo prolongado e em ambientes relativamente fechados.


Dado que COVID-19 (SARS-CoV-2) foi isolado nas fezes e na urina, deve ser dada atenção especial aos resíduos humanos para evitar contacto direto e/ou contaminação do ambiente.


Os animais domésticos podem transmitir o vírus da COVID-19?

De acordo com informação da Organização Mundial da Saúde (OMS), até à data não há evidência de que os animais domésticos como cães e gatos, tenham sido infetados e consequentemente possam transmitir o vírus da COVID-19.


Os alimentos e nomeadamente os congelados e os refrigerados podem transmitir o vírus da COVID-19?

Apesar de ser possível o contágio a partir da contaminação de embalagens de alimentos quando, através das mãos, os vírus acedem à boca, nariz e olhos, não é de todo a principal via de propagação viral. Devido ao facto de haver uma fraca sobrevida do vírus em superfícies, a transmissibilidade deste através de alimentos embalados, acondicionados, refrigerados e transportados durante dias, o risco parece ser muito baixo.


No entanto e como medida de precaução, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e em Portugal a ASAE, publicaram as seguintes orientações relativas à preparação, confeção e consumo de alimentos. Destaca-se o reforço das seguintes boas práticas de higiene:


  • Lavagem frequente e prolongada das mãos (com água e sabão durante 20 segundos), seguida de secagem apropriada evitando a contaminação cruzada (por exemplo fechar a torneira com uma toalha de papel ao invés da mão que a abriu enquanto suja);

  • Desinfeção apropriada das bancadas de trabalho e das mesas com produtos apropriados;

  • Evitar a contaminação entre comida crua e cozinhada;

  • Cozinhar e “empratar” a comida a temperaturas apropriadas e lavar adequadamente os alimentos crus;

  • Evitar partilhar comida ou objetos entre pessoas durante a sua preparação, confeção e consumo.


Qual é o período de incubação?

Estima-se que o período de incubação (tempo decorrido entre a exposição ao vírus e o aparecimento dos sintomas) seja entre 2 e 14 dias.


Está ainda em investigação a transmissão por pessoas assintomáticas.


Uma pessoa com a doença COVID-19 pode infetar os outros durante quanto tempo?

Um doente ativo com a doença COVID-19 pode contagiar outras pessoas. Por essa razão estes doentes têm de ser isolados da comunidade quer no hospital quer em casa (dependendo do seu grau de gravidade), até melhorarem e não representarem risco de infetar outras pessoas.


Quanto tempo uma pessoa ficará doente é muito variável pelo que a decisão sobre o fim do isolamento é avaliada caso a caso e baseada em critérios médicos, necessidades preventivas e de saúde pública, grau de gravidade inicial e resultados laboratoriais.


Os critérios do CDC (Centers for Disease Control and Prevention) para terminar a quarentena são baseados na avaliação individual e são os seguintes:


  • Doente sem febre não tendo recorrido a medicamentos para baixar a febre;

  • Ausência de sintomas nomeadamente tosse;

  • Teste laboratorial negativo em pelo menos 2 colheitas respiratórias consecutivas com um intervalo de 24 horas.

Um doente que sai do isolamento considera-se que não representa um risco de infeção para os outros.


Quem está em risco de doença COVID-19?

TODOS! O vírus não tem nacionalidade, idade ou género, por isso todos corremos o risco de contágio por este novo coronavírus.Toda a humanidade é alvo.


Correm maior risco de doença grave por COVID-19 os idosos e pessoas com doenças crónicas (ex.: doenças cardíacas, diabetes e doenças pulmonares).


Toda a população está suscetível à infeção por COVID-19 (SARS-CoV-2), incluindo as crianças.


Quais os sintomas suspeitos da COVID-19?

Todas as pessoas com queixas respiratórias agudas de

- tosse persistente ou agravamento da tosse habitual ou

- febre (temperatura ≥ 38°C) ou

- dispneia/dificuldade respiratória (sensação de falta de ar)

são considerados suspeitos e devem ligar para a linha SNS24 (808 24 24 24) ou de forma complementar para linhas telefónicas criadas para o mesmo efeito em Unidades de Saúde Familiar (USF) ou Unidades de Cuidados de Saúde Especializados (UCSP) divulgados localmente.


Como se identifica um caso suspeito?

Doente com infeção respiratória aguda (início súbito de febre ou tosse ou dificuldade respiratória), sem outra etiologia que explique o quadro + História de viagem ou residência em áreas com transmissão comunitária ativa, nos 14 dias antes do início de sintomas;
OU

Doente com infeção respiratória aguda + Contacto com caso confirmado ou provável de infeção por SARS-CoV-2 ou COVID-19, nos 14 dias antes do início dos sintomas;
OU

Doente com infeção respiratória aguda grave, requerendo hospitalização, sem outra etiologia.


De que forma me posso proteger?

Nas áreas afetadas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda medidas de higiene e etiqueta respiratória para reduzir a exposição e transmissão da doença:


Tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o cotovelo, nunca com as mãos; deitar sempre o lenço de papel no lixo);

Lavar as mãos frequentemente. Deve lavá-las sempre que se assoar, espirrar, tossir ou após contacto direto com pessoas doentes; A lavagem deve ser cuidadosa e durar 20 segundos, esfregando as mãos com sabão abundante ou com solução à base de álcool a 70°;

Evitar contacto próximo com pessoas com infeção respiratória;

Evitar tocar na cara com as mãos;

Evitar partilhar objetos pessoais ou comida em que tenha tocado. 


Como combater o vírus?

O vírus é destruído eficazmente por:


  • raios ultravioleta UV;

  • exposição a temperatura de 56°, 30 minutos;

  • álcool a 75°;

  • desinfetantes contendo clorina- lixívia;

  • solventes do éter;

  • outros como: ácido percético e clorofórmio.

A clorohexidina não é eficaz na eliminação do vírus.


Devo usar máscara para me proteger?

De acordo com a situação atual em Portugal, não está indicado o uso de máscara para proteção individual em pessoas que não apresentam sintomas. Os médicos e outros profissionais de saúde recomendam o uso de máscara nas seguintes situações:


  • Pessoas com sintomas de infeção respiratória (tosse ou espirro);

  • Suspeitos de infeção por COVID-19;

  • Pessoas que prestem cuidados a suspeitos de infeção por COVID-19. 

Existe tratamento e vacina para o Coronavírus?

O tratamento da infeção por este novo Coronavírus é dirigido aos sinais e sintomas apresentados e sobretudo ao tratamento das complicações. Sendo um novo vírus, ainda não existe vacina, estando em curso as investigações para o seu desenvolvimento.


Os antibióticos são efetivos a prevenir e tratar o Coronavírus?

Não, os antibióticos não são efetivos contra vírus, apenas bactérias. A COVID-19 é um vírus e, como tal, os antibióticos não devem ser usados para a sua prevenção ou tratamento. Não terá resultado e poderá contribuir para o aumento das resistências a antimicrobianos.


O que devo fazer se estive próximo de alguém com COVID-19 mas não tenho sintomas?

Se não tem febre, tosse ou dificuldade em respirar deve:


  • Evitar estar próximo de pessoas durante 14 dias porque pode estar a incubar a doença e ainda não ter sintomas;

  • Medir a temperatura 2 vezes por dia tendo em atenção o aumento da temperatura, tosse ou dificuldade respiratória.

O que devo fazer se estive próximo de alguém com COVID-19, e tenho sintomas?

Se tem febre, tosse ou dificuldade em respirar deve:


  • Ligar para o SNS 24 – 808 24 24 24 e seguir as orientações dadas;

  • Evitar estar próximo de pessoas.


Devo fazer o teste do Coronavírus?

Todos os casos suspeitos de infeção pelo novo coronavírus devem ser submetidos a estudo laboratorial. Se tiver sintomas como febre, tosse e/ou dificuldade respiratória e tiver estado em contato com uma pessoa que tenha a doença COVID-19, mantenha-se em casa e contate SNS24 (808 24 24 24).


Após este contacto e em função dos sintomas e do inquérito, os profissionais de saúde irão determinar se é necessário ser testado para COVID-19.


Preferencialmente, o diagnóstico deverá ser realizado na “Rede Portuguesa de Laboratórios para o Diagnóstico do SARS-CoV-2, na rede complementar de laboratórios privados ou no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).


No caso do teste ser positivo, só poderá deixar o isolamento quando, na ausência de sintomas, o resultado de 2 testes com o intervalo de 24 horas, forem negativos.


Posso ter um teste negativo e mais tarde ter outro teste positivo?

Um teste negativo apenas significa que, nesse momento, o vírus não foi encontrado na amostra respiratória da pessoa. Não significa de forma completamente segura que não tem a doença pois, nas fases inicias da COVID-19, o teste pode ainda ser negativo.


Se uma pessoa tem sintomas respiratórios como tosse e febre mas o teste é negativo, isso significa que o vírus da COVID-19 não é o responsável pela doença em curso.


Estou grávida. Terei maior risco de ser contagiada ou de ter complicações graves com a COVID-19?

Ainda não existem dados concretos sobre a suscetibilidade de mulheres grávidas ao vírus da COVID-19.


As alterações fisiológicas da gravidez podem tornar a mulher mais suscetível a infeções virais como a da COVID-19. Em comparação com a população em geral, também podem estar em risco de doença grave, morbilidade e mortalidade.


É fundamental as mulheres grávidas intensificarem as medidas preventivas da infeção como lavar as mãos frequentemente, manter distanciamento social (1 metro) e afastamento de outras pessoas infetadas.


Se tiver a COVID-19 durante a gravidez, tenho risco aumentado de desfecho adverso?

Não existem informações suficientes sobre resultados adversos da gravidez em mulheres grávidas com COVID-19. Noutras infeções com outros tipos de coronavírus durante a gravidez, têm ocorrido casos de aborto espontâneo e nado-morto. A febre alta durante o primeiro trimestre da gravidez pode aumentar riscos para o feto.


Estando grávida e doente com a COVID-19, posso transmitir o vírus ao feto ou ao recém-nascido?

É limitada a informação científica disponível sobre a transmissão vertical (mãe->filho) relativamente a outros coronavírus, mas a transmissão vertical não foi verificada para essas infeções.


Se eu estiver doente com a COVID-19 durante a gravidez, o meu filho correrá maior risco de ter complicações?

Atualmente não é conhecido o risco de complicações de crianças nascidas de mães infetadas com COVID-19. Mulheres com infeções com outros coronavírus durante a gravidez, tiveram bebés prematuros e/ou pequenos para a idade gestacional.


Se eu estiver doente com a COVID-19 durante o período de aleitamento, o meu filho correrá maior risco devido à amamentação?

Até ao momento não foi encontrada evidência da presença do vírus que causa a COVID-19 no leite materno.


O risco para o bebé resulta da proximidade dos fluidos e gotículas da mãe que possam contaminar o filho pela proximidade durante a amamentação e os cuidados de higiene.


Sendo o leite materno a melhor fonte de alimentação no lactente, a presença de uma infeção respiratória alta ou de COVID-19 confirmada obriga a medidas extremas de precaução para evitar contaminar a criança. A lavagem cuidadosa das mãos e utilização de máscara facial ou a utilização de bomba de extração de leite para administração afastada da mãe são medidas importantes para impedir o contágio.


25 Março 2020. 


Adaptado por Fernando Vilhena de Mendonça, MD e Maria Teresa Egídio Mendonça MD

DGS-Direção Geral da Saúde https://covid19.min-saude.pt/perguntas-frequentes/

CDC-Centers for Disease Control and Prevention https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/faq.html#basics




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